Africa do Sul e o surto de L. monocytogenese

  Mesmo que ainda não tenha ganhado destaque nos principais telejornais do Brasil, o surto de Listeria monocytogenese na Africa do Sul é grave e ainda não foi controlado. Desde janeiro de 2017, foram confirmados mais de 900 casos, onde mais de 170 mortes foram confirmadas. Em fevereiro de 2018  o caso veio à tona novamente, após a descoberta da principal fonte de contaminação.

  Em meio a diversas especulações sobre a origem do surto, o Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis (NICD) fez hoje uma declaração pública a fim de esclarecer a seriedade do instituto com os pareceres que foram cedidos até o momento, bem como, descrever os métodos utilizados para detectar o micro-organismo causador do surto.

  As descobertas são de que uma única cepa (ST6) está causando o surto e é responsável pela doença na maioria dos pacientes com listeriose. Após uma investigação epidemiológica realizada em conjunto entre diferentes departamentos, os produtos cárneos processados se tornaram o foco das investigações. A unidade de produção de Polowane da Enterprese Foods foi auditada, houve coleta de  amostras microbiológicas de várias etapas do processo, e após análises foi identificado a cepa do surto de L. monocytogenes ST6 no ambiente de processamento pós-cozimento da industria. Com base nesse resultado o NICD declarou os produtos fabricados pela Enterprese Foods como causa primária do surto.

   As ações governamentais para conter o problema ainda são sutis e complexas, visto que sofrem interferências políticas, partidárias e econômicas. Contudo, sabendo que o micro-organismo em questão pode estar presente no solo, frutas, verduras e em alimentos crus, as autoridades solicitaram que a população siga as 5 chaves para alimentos mais seguros elaboradas pela OMS:
  • Lave as mãos e as superfícies antes e regularmente durante a preparação dos alimentos;
  • Separe alimentos crus e cozidos, e não misture utensílios e superfícies ao preparar 
alimentos;
  • Cozinhe os alimentos completamente - todas as bactérias são mortas acima de 70 ° C;
  • Mantenha alimentos a temperaturas seguras - fervendo ou na geladeira;
  • Use água potável e ingredientes seguros para preparar alimentos.
   Todo esse cenário deixa evidente a fragilidade com a segurança dos produtos alimentícios fabricados na Africa do Sul, que apesar de ter normas rígidas para presença de Salmonella e E. coli, deixa uma brecha na legislação para Listeria monocytogenes. Como diz aquele famoso ditado "quem não aprende no amor, aprende na dor", triste é que a dor maior quem sofre é a população, mas fica a esperança que a partir de agora sejam elaboradas leis mais rígidas e abrangentes, assim como, fiscalização eficiente. 




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